Pular para o conteúdo principal

Oi, como vai? - A pergunta que nem sempre queremos resposta.


Hoje um amigo me encontrou na rua, fazendo a típica pergunta. A resposta automática foi: Bem, obrigada, e você? A verdade é que eu acabava de sair do dentista, com um ponto da extração de ontem inflamado, deixando minha boca dolorida e levemente inchada. Eu estava realmente bem? Nem tanto... Na verdade meu humor estava péssimo e a última coisa que eu queria era estar naquela situação, mesmo que tão boba e insignificante.

Mas eu disse que estava bem e ele, diferente de mim, não respondeu minha pergunta devolvida no automático. Quando perguntei "e você?", ele suspirou, passou a mão pelos cabelos várias vezes e disse que as coisas não andavam tão bem para ele. Aí esperou para ver se eu perguntava o motivo, para ver se eu me interessava pelo que acontecia com ele. Confesso que não estava interessada no começo, mas imediatamente admirei a atitude dele em querer se abrir e me convenci que de alguma forma aquilo me faria bem. Então ele me contou o que acontecera há alguns minutos e como estava se sentindo. Quase chorou. E eu quase chorei também, pensando em minha mesquinharia.

Acontece que quando eu disse "Tudo bem", eu não estava querendo dizer que meu problema era nada perto dos infortuitos da humanidade - antes fosse isso, quem me dera ter essa alma evoluída - eu queria simplesmente me livrar de um bate papo, não queria conversar nem trocar experiências com ninguém. Consequentemente, quando perguntei "E você?", não queria saber como ele estava, foi uma pergunta retórica, eu estava doida para chegar em casa e curtir minha dor de dente (ou da falta dele). Mas recebi um tapa na cara e o danado doeu. Desde então, minha sensibilidade foi a mil, fiquei com vontade de ligar para todos meus amigos e conhecidos querendo saber como realmente estavam. Mas aí fiquei pensando se entenderiam meu súbito interesse por suas vidas, qual seria a resposta? Provavelmente receberia vários "bem, obrigada" mentirosos. Ao invés de ir para o telefone, vim fazer esse post... talvez mais uma atitude mesquinha e egoísta. 


Comentários

  1. Quando perguntamos, temos que nos preparar pra de repente, respostas ouvir.Saber ouví-las é preciso e faz parte...Ouvidos amigos fazem bem!!beijos praianos,chica

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Chica... às vezes perguntamos tão automaticamente que nos surpreendemos quando recebemos uma resposta de verdade. Mas isso me fez bem, pra dizer a verdade. Obrigada pelo carinho. Bjokas =)

      Excluir
  2. Que coisa divertida Val kkkkk. Eu as vezes me irrito com o falso "muito bem, obrigada". Faço as vezes como seu amigo, conto alguns problemas, mas a pessoa sempre pergunta: "mas de resto ta bem ne?" ate parece que estão impondo um comportamento, ou um estado de espirito. Essas coisas sempre me irritam, mas confesso q também já dei resposta monossilábicas por causa de dores de barriga e outros motivos egoístas. Um beijo Val!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nossa, Alê... esse "mas de resto ta bem ne?" é pior ainda do que o "bem, obrigada". Chega a ser frustrante, rsrsrs. Mas a verdade é que tem momentos que não desejamos compartilhar nada com ninguém, ainda que esteja acontecendo alguma coisa (porque sempre está, seja boa ou ruim). Em compensação existem momentos em que necessitamos desesperadamente falar, como o caso desse meu amigo. Ele deve ter dado graças a Deus por me encontrar, ou qualquer outra pessoa, e no fim das contas foi muito bom conversar com ele, senti que apesar de tudo, estava no lugar certo e na hora certa.

      Brigadão pelo carinho e comentário! Bjokas =)

      Excluir
  3. Olá Val, bom dia parceira. Antes de tudo quero agradecer sua visita ao meu reformulado blogue. rs.
    O que ocorreu com você é o normal. O cumprimento de "oi, tudo bem" é apenas uma convenção, porque a maioria das pessoas já esperam ouvir o automático "tudo" e não estão nem um pouco afim de ouvir o contrário, de ficar ouvindo as mazelas alheias.
    Eu, por vezes, respondo que está tudo bem quanto tudo está péssimo por hábito.
    E penso que a maioria de nós fazemos isto, seu colega ao seu ver foi corajoso, contudo, diante de outras pessoas, seria considerado inconveniente. Tal como você seria considerada inconveniente em procurar seus amigos e querer saber mais deles. Já estamos meio que condicionados a agir assim, portanto, a atitude mais sensata que teve foi escrever este post.
    Bom final de semana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Penso que tem algumas pessoas em nossas vidas que nos dão liberdade de dizer se as coisas estão realmente bem ou não. É uma questão de bom senso vc sair se abrindo ou não com qualquer pessoa que te pergunta "e aí, tudo bem?" Não foi o caso desse meu amigo, apesar de não nos vermos constantemente, confiamos um no outro e temos afinidade suficiente para nos abrirmos um com o outro. Mas em outras situações, isso pode ser considerado realmente uma inconveniência.

      To achando muito bom seu retorno à blogosfera, Chris, seja bem vindo sempre! Bjus e até mais =)

      Excluir

Postar um comentário

Que bom que você leu o post até o final, sinal de que não era tão chato assim, neh? Seu comentário é muito importante para mim, não saia sem deixar um Oi, para eu saber quem veio me visitar. Sempre que posso, retribuo as visitas. Bjokas da Val!

Postagens mais visitadas deste blog

Blogagem Coletiva - A última folha de papel

Olá, pessoas queridas do meu coração blogosférico!!! Hoje vou participar correndo de mais uma Blogagem Coletiva no blog Café entre Amigos, da Patrícia Galis, esse aqui ó . O tema é: “O que escreveria na última folha de papel em branco do mundo?” Mas antes, quero dizer (rapidinho) que essa semana eu tive meio que uma sorte virtual das grandes!!! Fui sorteada em dois blogues parceiros: Um sorteio eletrônico no Escritos Lisérgicos do Chris, no projeto Uma Imagem, 140 caracteres e, olha só, gente... já fui sorteada na minha primeira participação do blog Entre Livros e Sonhos , da Alê Lemos (nesse fui sorteada pelo modo “analógico”, como ela disse hehe). Agradeço desde já a esses parceiros que me recebem com tanto carinho em seus espaços e me permitem interagir com esse mundo maravilhoso da Blogosfera. E agora, vamos à última folha de papel em branco? Bem, fiquei me perguntando o seguinte: Se esta é a última folha em branco, o que aconteceu com as outras? Por que ...

Eu e meus concursos publicos - Um hobby tao estranho assim?

Gostar de estudar sempre foi uma das minhas características mais marcantes. Desde pequena era apaixonada por leitura, e no ensino médio, o que parecia ser um sacrifício sem fim para a maioria dos meus colegas de classe, para mim era algo estranhamente prazeroso. Nem queria ser CDF, não me importava com boas notas, tudo isso era consequência da minha curiosidade, vontade de saber mais das coisas. Claro que, como toda adolescente que se preze, tive meu momento de rebeldia - Eh, podem acreditar, eu não fui 100% sensata como hoje em toda a minha vida, aliás... quem disse que sou 100% sensata hoje em dia? Mas enfim... fiquei dois anos sem estudar (esse foi meu ato rebelde tá? Nada de sexo, drogas e rock'n roll, minha mãe me mataria, hehe) e depois tive que correr atrás do prejuízo. O mundo dos concursos públicos entrou na minha vida com 17 anos. Estava terminando o ensino médio, e uma amiga de minha mãe me incentivou a fazer a prova dos Correios - o que me fez lem...

Ultima carta ao seu eterno amor

Minha primeira participação no projeto Bloinquês, na categoria cartas   Volta Redonda, 23 de março de 2012. Meu Querido Estou escrevendo esta carta com as mãos trêmulas e o coração em frangalhos, tendo a certeza de que não verei sua reação ao lê-la, pois quando isso acontecer, já não estarei deitada em nossa cama a tua espera. Foram cinco anos, não é? Cinco anos de amor, de dedicação e entrega total, mas que infelizmente chegou ao fim. Desde que nos conhecemos, temos vivido um para o outro e anulado nossas próprias vidas, nossos sonhos e planos para o futuro. O amor que dedicamos um ao outro não cabe nessas poucas linhas, mas você sabe da dimensão dele e também de suas inevitáveis consequências, não sabe, meu amor? Ontem te vi chorando por teu filho, que você não pode ver por minha causa. Sei que você chora por se sentir fraco e incapaz de tomar uma decisão definitiva com relação à sua ex esposa. E com isso sei que ela também chora por não te ter, e eu também choro por estar c...