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Desafio Eu-lírico: A aprendiz



Olá, meu povo! O desafio do blog A menina das ideias é o seguinte: "Na verdade gostaria que   imaginassem uma história na qual vocês fossem os protagonistas, e descrevessem como você se enxergam e um pouco da trama, que pode ser real ou imaginada. Não tem limite de linhas, escrevam o quanto quiserem (mas recomendo que escrevam mais de 5 linhas por favor )". Sendo assim, vamos ao conto? Espero ter cumprido o objetivo do desafio. Bjokas da Val e até a próxima =D





A aprendiz

Ela havia se preparado durante anos para aquele momento. Enquanto caminhava sozinha pela floresta, Valquíria lembrava-se do que seu mestre lhe dissera antes de mandá-la ali: Siga sempre em frente, não volte.

- Que conselho idiota! – Ela pensou quando se sentou encostada a uma árvore e abraçou os joelhos dobrados, tentando escutar algum ruído diferente que fosse, buscando uma pista de como sair daquele pesadelo que começava a minar suas forças.

- Calma, Valquíria, você não pode entrar em desespero a essa hora – aconselhou a si mesma – já está quase escurecendo e você vai passar mais uma noite aqui se não pensar com cuidado.

Segurou com força o medalhão que trazia no peito, fazendo uma prece silenciosa antes de abri-lo. Ali estava o mapa que ela precisava, porém, o mesmo não lhe dava boas noticias. Sabia naquele momento o caminho que deveria seguir, mas também já sabia o perigo que a esperava. Não havia escapatória ou outro caminho, Svany a esperava pacientemente na décima curva da trilha da mandala perdida.

Levantou-se e começou a caminhar a passos largos em direção ao norte, levando o ar aos pulmões devagar para tentar manter a calma. Sentia que todos aqueles anos de treinamento com Hilbert não a haviam preparado o suficiente para aquele momento, a vida real. A mochila que carregava nas costas foi tornando-se mais leve à medida que se aproximava a noite, e Valquíria respirou aliviada: Não daria tempo de chegar ao grande confronto naquele dia e, embora soubesse que o mesmo era inevitável, agradeceu ao universo o fato de poder dormir e renovar suas forças antes de tudo finalmente acontecer.

Logo que avistou um local propício ao sono, abriu a mochila para verificar o que Hilbert havia lhe mandado: Uma capa. Olhou confusa para o objeto e revirou a mochila de ponta à cabeça, em busca de um travesseiro confortável e um cobertor quentinho.

- Uma capa, Hilbert? Só isso? – gritou no meio do nada.

Após jogar o pedaço de pano com capuz sobre a mochila, imaginou que Hilbert deveria estar rindo dela naquele momento, enquanto ela amontoava folhas e mais folhas que pudessem amortecer pelo menos um pouco do desconforto que seria passar a noite naquela clareira.

- Podia ao menos ser feita de lã. – resmungava consigo mesma enquanto jogava a capa sobre os ombros para sentir o quanto estaria protegida do frio, quando se deparou com a grande surpresa que seu mestre lhe preparara: todo seu corpo do ombro para baixo havia desaparecido. Com os olhos arregalados, Valquíria abriu os braços e ficou olhando para o vazio abaixo de seus olhos. Tirou a capa e observou seu corpo ali de volta. Tornou a se cobrir até a cabeça e deu uma risada.

- Esse meu mestre é mesmo maravilhoso! – disse Valquíria enquanto imaginava como seria fácil passar pela trilha sem ser notada por seu inimigo. Parecendo uma criança na chuva, começou a rodar com os braços abertos, agradecendo pelo presente que, agora ela reconhecia ser muito melhor do que uma cama King Size de última geração com travesseiros de pluma de ganso.

No meio de sua empolgação, não fosse seu sentido auditivo bem treinado, teria deixado de ouvir os passos que se aproximavam. Em estado de alerta, Valquíria cobriu-se com a capa e espreitou-se junto ao rio que corria ali perto. No meio da escuridão, só conseguiu enxergar o vulto daqueles seres quando já estavam a uma distância razoável.  Um pequeno exército de centauros aproximava-se do acampamento improvisado, atraídos provavelmente pelo cheiro humano de Valquíria.

Sentiu o coração começar a acelerar e receou que os seres o escutassem e a descobrissem ali sob sua capa. Através de exercícios próprios, fez com que o coração e a respiração parassem pelo médio espaço de tempo em que os centauros vasculhavam a área. Também esvaziou sua mente de qualquer pensamento, ciente de que eles também tinham uma audição aguçada como o olfato.

Valquíria percebeu um deles chamando os demais por código para retornarem à base. Quando viu que já estavam longe, lembrou-se de como achava entediante as aulas de dialetos e códigos místicos. Ainda bem que Hilbert pegou no meu pé, falou em voz baixa, enquanto acomodava-se na cama improvisada ainda vestida com a capa que, além de torná-la invisível, era magicamente quentinha e confortável.

O dia clareou algumas horas depois, fazendo Valquíria despertar e tornar novamente alerta os sentidos. Aquele era o grande dia, o primeiro de seus grandes desafios. Levantou-se e olhou para si: Seu corpo estava totalmente à mostra e a capa de invisibilidade havia desaparecido. Valquíria olhou em volta e soltou um longo suspiro: Seria bom demais para ser verdade – entendendo qual o propósito do objeto mágico enviado por seu mestre.

Acontece que ela precisava de proteção naquele momento de escuridão e incertezas. Seu inimigo Svany era astuto e infame o suficiente para mandar seus guardas à procura de Valquíria e pegá-la de surpresa durante a noite. Mas o confronto não poderia ser evitado, fosse pela covardia de Svany ou pela tentativa de “dar um jeitinho” de Valquíria. E ela entendeu, não adiantava se esconder sob uma capa ou procurar no mapa um caminho mais fácil. Ela precisava enfrentar o que estivesse em seu caminho e para isso, sabia que sua mochila estaria sempre abastecida das armas e suprimentos de que necessitaria para tanto.


Comentários

  1. Que legal e adoro ler teus escritos!Parabéns pela inspiração! Enfrentar a vida e seus traçados sem se esconder, de peito aberto... Legal! bjs, tudo de bom,chica

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  2. Que bom que você também está participando do Desafio!
    E que bom que postou mais um conto! Realmente gosto de ler o que você escreve (e não esqueci do livro, cuja devedora é você, rs)!
    Fico aguardando mais novidades!
    Beijos!

    ResponderExcluir
  3. Menina, acho que você tem um talento e tanto viu?
    Vê se escreve um romance de aventura porque eu adoro livros desse tipo, e viraria sua fã numero 1 kkkkk.
    Muito obrigada por participar do desafio!
    beijos.

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  4. Sensacional. Amei.
    Estou te seguindo.

    Carlos Hamilton
    http://www.mesadeconversa.com
    Abraços

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  5. Adoreiiiii isso sempre em frente voltar jamais.

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